Benchmarking: o que é, quem criou e como aplicar na sua empresa

Nenhuma empresa precisa reinventar a roda. Em vez de tentar descobrir sozinha as melhores práticas do mercado, muitas organizações aceleram sua evolução através do benchmarking — uma técnica de gestão baseada em aprender com os melhores.

O termo benchmarking surgiu formalmente em 1979, cunhado pela empresa Xerox Corporation, quando enfrentava forte concorrência japonesa e buscou compreender como outras empresas estavam operando com mais eficiência. No entanto, a ideia foi sistematizada e popularizada por Robert C. Camp, engenheiro da própria Xerox, em seu livro Benchmarking: The Search for Industry Best Practices that Lead to Superior Performance (1989).

Desde então, benchmarking se tornou uma prática comum em empresas de todos os tamanhos, setores e áreas, permitindo identificar gaps de desempenho, inspirar melhorias e construir estratégias mais inteligentes e eficazes.

O que é benchmarking?

Benchmarking é uma técnica de análise comparativa que busca identificar, compreender e adaptar as melhores práticas de outras empresas ou setores para melhorar os resultados de uma organização.

A palavra vem do inglês “benchmark” (referência, marco de comparação) e representa o ato de usar o desempenho de outro como padrão de excelência.

Ao contrário da simples cópia ou espionagem empresarial, o benchmarking é um processo estruturado, ético e baseado em dados. Ele envolve coleta de informações, análise crítica e adaptação inteligente — tudo com foco na melhoria contínua e inovação gerencial.

Para que serve o benchmarking?

  • Identificar práticas mais eficientes que podem ser adaptadas à sua realidade
  • Reduzir tempo e custos em processos de melhoria
  • Detectar falhas, gargalos e pontos cegos na operação
  • Comparar desempenho com o mercado ou com seus próprios setores
  • Estimular inovação e cultura de aprendizado contínuo

O benchmarking não é apenas um comparativo de indicadores. Ele envolve processos, estratégias, sistemas, atendimento, logística, marketing e qualquer área que possa ser aprimorada por observação externa.

Tipos de benchmarking

1. Benchmarking interno

Compara unidades, departamentos ou processos dentro da própria organização. É comum em grandes empresas com filiais ou múltiplas unidades de negócio.

Exemplo: comparar o desempenho de duas fábricas ou equipes de vendas.

Vantagem: acesso fácil aos dados e menor resistência.

2. Benchmarking competitivo

Compara diretamente com os principais concorrentes do mercado. Exige muito cuidado para manter ética e legalidade.

Exemplo: analisar a logística ou o modelo de atendimento de um concorrente direto.

Desafio: acesso limitado às informações externas.

3. Benchmarking funcional

Compara funções específicas com empresas de qualquer setor que sejam referência naquela área.

Exemplo: estudar o modelo de recrutamento de uma empresa de tecnologia para aplicar em uma indústria de alimentos.

Vantagem: permite aprender com os melhores, mesmo que fora do seu segmento.

4. Benchmarking genérico

Foca em processos universais que podem ser aplicados em qualquer negócio, como controle de qualidade, gestão de projetos ou atendimento ao cliente.

Exemplo: aprender como uma empresa global faz gestão por indicadores e aplicar isso em seu setor.

Etapas do processo de benchmarking

1. Planejamento

  • Defina claramente o que será comparado (qual processo, indicador ou área)
  • Escolha com quem irá se comparar (empresa, setor, unidade)
  • Estabeleça critérios objetivos e fontes confiáveis de informação

2. Coleta de dados

  • Use questionários, entrevistas, visitas técnicas, relatórios públicos, sites, balanços, pesquisas de mercado
  • Respeite a ética e a confidencialidade das informações

3. Análise comparativa

  • Compare os dados e identifique os gaps de desempenho
  • Busque entender as causas das diferenças
  • Analise o que pode ser adaptado à sua realidade

4. Implementação das melhorias

  • Adapte o que for viável, respeitando a cultura, estrutura e capacidade da sua empresa
  • Crie um plano de ação com prazos e responsáveis

5. Monitoramento e revisão

  • Acompanhe os resultados obtidos
  • Refaça o processo periodicamente: benchmarking é contínuo, não pontual

Vantagens do benchmarking

  • Acelera a curva de aprendizado
  • Reduz riscos em novos projetos
  • Estimula a cultura de melhoria contínua
  • Gera inovação com base em práticas testadas
  • Evita a miopia organizacional
  • Aumenta a competitividade no mercado

Riscos e limitações do benchmarking

  • Copiar sem adaptar pode causar falhas
  • Dados externos nem sempre são confiáveis
  • Foco excessivo em concorrentes pode engessar a inovação
  • Requer tempo, dedicação e abertura cultural para aprender com o outro

O segredo está em comparar, aprender e adaptar, não em copiar cegamente.

Quando aplicar benchmarking?

  • Ao lançar um novo produto ou serviço
  • Durante reestruturações de processos
  • Em momentos de queda de desempenho
  • Na implantação de novos sistemas de gestão
  • Para definir metas mais realistas e desafiadoras

O benchmarking é especialmente útil quando a empresa está estagnada, quer ganhar eficiência ou precisa romper barreiras internas com ideias externas.

Benchmarking e outras ferramentas de gestão

O benchmarking pode ser combinado com outras ferramentas já abordadas nos seus conteúdos, como:

  • Ciclo PDCA, para aplicar as melhorias de forma estruturada
  • Curva ABC, para priorizar mudanças com maior impacto
  • POC3, para organizar processos antes e depois do aprendizado externo
  • Balanced Scorecard, para conectar os aprendizados aos indicadores estratégicos

Essas conexões tornam o benchmarking ainda mais poderoso e alinhado à estratégia geral da empresa.

Leitura Recomendada

FAQ – Perguntas Frequentes sobre Benchmarking

1. Quem criou o conceito de benchmarking?
O conceito foi desenvolvido formalmente por Robert C. Camp, na empresa Xerox, a partir de 1979.

2. Benchmarking é copiar o que o outro faz?
Não. É aprender com os outros para adaptar à sua realidade. A cópia literal, sem adaptação, pode ser ineficaz ou até perigosa.

3. Como fazer benchmarking com concorrentes?
De forma ética: analise relatórios públicos, participe de feiras, conselhos setoriais ou associações. O foco deve estar em boas práticas, não em espionagem.

4. Qual a diferença entre benchmarking e espionagem industrial?
Benchmarking é legal, ético e estratégico. Espionagem é crime. O benchmarking respeita a privacidade e busca parcerias abertas de aprendizado.

5. Benchmarking só serve para grandes empresas?
Não. Pequenas e médias empresas podem (e devem) usar benchmarking como forma de melhorar processos, cortar custos e aprender com outras realidades.

Conclusão

O benchmarking é uma das formas mais inteligentes de evoluir. Ele mostra que ninguém precisa crescer sozinho e que olhar para fora da empresa pode ser a chave para romper barreiras internas.

Ao adotar o benchmarking de forma estratégica, sua empresa acelera a inovação, aprende com os melhores e toma decisões com base em experiências reais e comprovadas. Não se trata de copiar, mas de evoluir com inteligência.

Sobre o Autor
Lucas Rocha em traje formal com um elegante terno azul, camisa branca e gravata marrom, transmitindo profissionalismo e autoridade

Lucas Rocha é administrador de empresas, pós-graduado pela FGV-Rio e fundador do Administração Explicada. Com vasta experiência em processos e gestão de pessoas, dedica-se a ajudar pequenos negócios com consultorias e soluções de gestão.

Recebe Novidades
Newsletter

Continue lendo

O que é a Teoria das Filas? Como reduzir esperas e aumentar eficiência nos processos

O que é a Teoria das Filas? Como reduzir esperas e aumentar eficiência nos processos

A Teoria das Filas foi criada pelo matemático dinamarquês Agner Krarup Erlang…

O que é ROI? Como calcular e aplicar o Retorno sobre Investimento em qualquer área

O que é ROI? Como calcular e aplicar o Retorno sobre Investimento em qualquer área

O conceito de ROI (Return on Investment) foi estruturado por Donaldson Brown,…

O que é a Teoria do Desenvolvimento Organizacional?

O que é a Teoria do Desenvolvimento Organizacional?

A Teoria do Desenvolvimento Organizacional foi estruturada nas décadas de 1950 e…